Bankinter desceu o seu valor mínimo no crédito à habitação para 0,95%. Deco vê outros bancos a baixar.

 

 

 

 

Comprar casa com recurso ao crédito vai passar a ser mais barato. O Bankinter deu ontem o pontapé de saída para uma nova onda de descida nos spreads (margem de lucro) no crédito à habitação e passou a oferecer um spread de 0,95%.
O movimento foi recebido com surpresa pelo setor que vê esta mexida como "um suicídio" para a banca. Também a Deco foi apanhada de surpresa com este anúncio do Bankinter. "Considerando o atual cenário económico, assim como as perspetivas para os próximos meses, com o esperado aumento do risco de crédito dos consumidores, é com alguma surpresa que registamos esta descida de spreads hoje anunciada, que poderá enquadrar-se numa estratégia de aumento da concorrência e tentativa de ganhar quota de mercado", disse Nuno Rico, economista da Deco.
"Neste sentido, e considerando que se quebrou uma barreira psicológica, no que aos spreads diz respeito, é previsível que haja resposta de outras instituições de crédito, no sentido de não perder clientes neste produto bancário", adiantou.
Contactados, diversos bancos escusaram-se a apontar se vão ou não acompanhar este movimento iniciado pelo Bankinter. Até 5 de agosto, além do Bankinter, eram três os bancos em Portugal a praticar spreads de 1%: Santander, Millennium BCP e ActivoBank. Com spreads de 1,1% estavam outros três: Banco CTT, Crédito Agrícola e EuroBic.
O setor tem estado sob pressão devido à crise provocada pelas medidas adotadas pelo governo no âmbito da epidemia do novo coronavírus. Portugal seguiu as medidas adotadas por diversos países e decretou o fecho de escolas, comércio e diversos serviços, criando uma das maiores crises de sempre.
Os bancos em Portugal concederam moratórias a mais de 740 mil empréstimos e há 39 mil milhões de euros de créditos suspensos. A suspensão dos contratos de crédito permite um adiamento da entrada em incumprimento pelos devedores.
A Deco tem usado 1% como spread nas suas simulações e já adiantou que a prestação pelo crédito à habitação vai descer neste mês nos contratos com Euribor a três e seis meses, face às últimas revisões.
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Retirado do DN - Adaptado por Dicas Imobiliárias