A adoção do canal online como principal montra imobiliária é uma tendência que se consolidou no pandémico ano de 2020, provocada pela necessidade de promover a comercialização dos imóveis num contexto de distanciamento e confinamento social, assim como pelo aparecimento de "proptechs" - startups que oferecem produtos tecnologicamente inovadores ou novos modelos de negócios para o mercado imobiliário) -, assegurando assim uma maior eficiência e transparência a todo o mercado.
"A adesão dos portugueses às plataformas online em 2020, como principal canal de descoberta de imóveis, contacto com profissionais e posterior transação imobiliária, assumiu-se, em 2020, como principal força motriz do setor imobiliário em Portugal, e vai ser, certamente, o principal veículo de sustentabilidade do setor para 2021", avança a consultora Imovendo no seu último relatório, a que o Negócios teve acesso.
"2021 vai ser um ano de consolidação digital para o setor", garante a Imovendo, que registou que "o tráfego dos principais portais imobiliários cresceu cerca de 22,8% em 2020, apesar de as principais redes imobiliárias terem visto o tráfego das suas páginas cair mais de 4,1".
Segundo a Imovendo, os números relativos às principais redes imobiliárias demonstram "não apenas que estas tiveram dificuldade em adaptar os seus modelos de negócio tradicionais a uma nova realidade mais digital e menos presencial, como a maioria delas não adotou o primado tecnológico como fator alavancador de negócios".
 
O mesmo estudo realça também que "a procura imobiliária online cresceu cerca de 11 pontos se compararmos apenas o mês de dezembro, recuperando fortemente da contração verificada no primeiro confinamento".


Crédito à habitação com um fluxo mensal superior a 830 milhões de euros
 
Por outro lado, destaca a imovendo, num ano marcado por uma profunda crise económica, não deixa de ser surpreendente que "o dinamismo evidenciado pelo crédito à habitação seja contracíclico, crescendo mais de 6,3% nos primeiros 10 meses de 2020, em termos homólogos, e assegurando, mesmo nos meses do primeiro confinamento, um fluxo mensal de novos financiamentos sempre superior a 830 milhões de euros".
 
"Este novo ano deverá, ainda, manter o comportamento expansionista das entidades financeiras, sobretudo a partir do segundo trimestre, altura para a qual será expectável assistir aos primeiros passos de uma recuperação económica, em que, também se assistirá a um maior fluxo de imóveis e transações no mercado, devido ao fim das moratórias concedidas pelos bancos", assegura Manuel Braga, CEO da imovendo.
 
Alojamento local em baixa, moradias em alta. E há mais mediadoras imobiliárias
 
O estudo da consultora indica ainda duas outras tendências que marcaram 2020 e que continuarão a ser observáveis em 2021:
 
"A perda de capacidade de rejuvenescimento do Alojamento Local, tendo-se assistido, em 2020, a uma queda de novos registos de 53,9% face a 2019, e de 73,9%, se comparado com 2018; e um reajustamento na procura residencial, no sentido de garantir mais espaço útil, a par da existência de espaços exteriores (logradouros, terraços ou amplas varandas), que resultam do facto de uma casa hoje ser bem mais do que apenas um dormitório."
Entretanto, o número de mediadoras imobiliárias em atividade em Portugal voltou a subir nos últimos meses.
 
Aquando do confinamento, existiam 7.051 no nosso país, número que subiu para 7.471 em agosto. Depois de alguma contração no final do verão, tem vindo novamente a aumentar, atingindo as 7.275 no final de dezembro passado, mais 101 do que no mês anterior.